BUILDING BRANDS, CREATING NEWS

Adaptar-se ao novo é mudar com ele

Nossas expectativas, nesse momento, relacionadas ao futuro são bastante pessimistas. A Copa está chegando e continuamos com os mesmos sinais de ineficiência e desorganização de sempre, mas em proporções muito maiores. As cidades parecem canteiros de obras e temos os mais diversos problemas relacionados a execução dessas. Atrasos, acidentes, orçamentos muito além das previsões, etc. Sem falar nas questões ligadas à segurança e à infraestrutura. Enfim, sérios problemas de planejamento. Porém, acredito que a nossa capacidade de adaptação, aceitação, transformação e, principalmente, improvisação, mais uma vez irá surgir do acaso e transformar tudo novamente, esperamos que para melhor.
 
Como contraponto, imaginem o seguinte cenário: estamos no ano de 2020. A internet 5G nos permite um uso intensivo dos novos e diversos tipos de smartphones, integrados a tudo. Smart TVs dominam o mercado, permitem a customização total da programação e a compra direta do modelito hype da artista do momento. Ligados a smartstores, lojas multiconvenientes, sempre disponíveis, que permitem a compra inteligente e permitem tanto o delivery quanto uma das diversas alternativas de retirada de produtos. A internet nos ajuda nas compras, mandando mensagens dos itens que estão faltando na geladeira, e além de comunicar que o carro necessita de manutenção, nos informa as possibilidades e os orçamentos. A tecnologia humanizada alterou completamente a paisagem urbana e, em especial, a do varejo.  Vivemos cercados por telas que nos ajudam. A internet das coisas, ligada a internet das pessoas, permite que tenhamos uma vida melhor, e nosso tempo, hoje tão escasso, será utilizado basicamente para criar, inovar e curtir a vida.
  
Vamos ampliar a nossa percepcão do cenário de 2020. A geração z, nativa no mundo da internet, dominará as preferências e os rumos do mercado. Marcas relevantes, com causas sustentáveis, continuarão fortes e as plataformas móveis, somadas a sensores inteligentes e customização direta, definirão o sucesso ou fracasso das propostas de valor. Empresas que mesclarem o melhor dos quatro gigantes reformatarão o ambiente do varejo. Um ambiente que mescla a capacidade de criar o e-commerce e toda a sua complexidade da Amazon; a capacidade de busca e organização inovadora do Google; a capacidade de saber o que as pessoas curtem e quais são os seus lifestyles do Facebook; somados com a capacidade de envolver sinergicamente todo o ecossistema da Apple. Todos esses elementos, dessas 4 marcas, convergindo em uma nova paisagem com novos modelos de empresas, mais simples, inteligentes e sustentáveis.
 
Ok, mas depois de toda essa utopia, como ficam as lojas tradicionais? Seria totalmente digital o futuro do varejo dada a sua conveniência e praticidade? Como seria o design desses ambientes em 2020? Como consumidores, como organizaremos as nossas escolhas?
 
Nesse exercício de futurologia os fatores realmente determinantes ainda irão oscilar. Porém, essas especulações apontam para algumas possibilidades para pensarmos nos pontos de venda. Em primeiro lugar, sim, as lojas físicas continuarão existindo, provavelmente em menor número, mas com maior relevância. Serão os templos das marcas, locais onde toda a construção de relevância, praticidade e conveniência estará a serviço do seu  público, que será cada vez mais colaborativo e engajado nas suas causas e lifestyles.
 
Infelizmente ninguém sabe exatamente o que o futuro nos reserva. O que torna difícil saber exatamente como se preparar, mas seguindo determinadas tendências e lições do passado, é possível fazer algumas previsões de como manter uma marca e seus ambientes, fortes e atraentes neste futuro desconhecido. Mas a lição principal que fica nesta reflexão é sobre a leitura de cenários e sobre planejamento estratégico. Afinal, nossa criatividade vem a reboque da nossa capacidade de improvisação. Porém, só uma cultura disciplinada ao planejamento pode garantir a inovação.
O que a sua loja terá de diferencial? Vendedores educados, simpáticos, que entendem dos produtos, em uma loja simples, em que a comunicação esteja integrada com o ambiente? Uma tecnologia diferenciada? Parcerias com outras marcas que entreguem mais aos consumidores, por um preço muito menor? Eu aconselho considerar todas as anteriores, além de estar atento às novidades, adequando-as ao seu negócio. 
Estamos atravessando dramáticas transformações, não só tecnológicas, mas também de comportamento, e isso afeta diretamente o varejo, tornando o processo de compra ainda mais dinâmico. Ninguém duvida que estamos reinventando o varejo, mais uma vez.
A questão é: você está pensando no futuro do seu negócio? Tem uma estratégia atraente o suficiente para diferenciar-se e encontrar as necessidades dos consumidores de 2020? Se não, não deveria começar a trabalhar nisso agora? Não quero ser pessimista, mas a Copa teve mais de 6 anos para ser planejada e estamos presenciando apenas o improviso dos responsáveis pelo espetáculo. Os estádios serão, sem dúvida, maravilhosos, mas e o entorno, os ingressos, o transporte? Isso foi planejado? Será que foram traçadas as estratégias necessárias no tempo certo? Nunca acharemos o culpado, mas você pode transformar o futuro do seu negócio e as condições dos seus ambientes. Estude o seu público, estude o mercado, arme-se com todas as ferramentas necessárias e, principalmente, esteja preparado para mudar.

Artigo publicado em 13 de fevereiro de 2014

 

*Leonardo Araujo é Diretor / Retail & Environmental Design do Gad. Graduado em Arquitetura e Urbanismo, ele possui mais de 30 anos de experiência na gestão de design para o varejo, espaços e experiências para importantes marcas nacionais e internacionais