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Wayfinding design, mobilidade urbana e varejo

Cartazes publicitários, anúncios, placas, pichações, outdoors, vitrines de lojas, sinalizações em geral. Nos centros urbanos, as pessoas são bombardeadas por uma ampla gama de ferramentas de comunicação. Em muitos casos, as mensagens são confusas, incompletas, distorcidas e, até mesmo irrelevantes. Esse conjunto forma um mar de elementos de comunicação visual, que orientam nossos destinos e confluências, em um mundo saturado com informações.
 
Em nenhum outro momento da história esse fenômeno foi tão marcante. Também por conta disso, entre outros fatores, a síndrome do déficit de atenção atinge proporções endêmicas. Essa overdose de informações coloca as pessoas próximas do torpor. Nesse cenário, o wayfinding design desponta como umas das principais vertentes para gerar organização, eficiência e diferenciação no varejo e nos ambientes urbanos.
 
 Voltando às origens do que hoje são os centros urbanos, vale destacar que as cidades nasceram com o varejo. Normalmente, tudo começava e girava em torno dos pontos onde haviam os mercados e se desenvolviam a partir daí. Com o passar dos anos, a evolução da urbe se tornou cada vez mais densa e complexa. Esse movimento aconteceu sem controle e hoje chegou ao caos urbano que conhecemos. O rumo precisa ser corrigido e isso passa necessariamente pelos sistemas de sinalização e orientação que, em última análise, incidem não só na construção adequada dos ambientes, mas possuem impactos diretos e positivos na constituição dos hábitos e mentalidade dos cidadãos.
 
 A organização espacial e visual das informações promocionais somadas aos sistemas de sinalização e localização, corretamente estruturados, permitem a otimização dos fluxos e dos tempos envolvidos, gerando segurança e facilidade nos deslocamentos. A eficiência na transmissão das mensagens também proporciona conveniência, ganho de tempo e liberdade, além de melhorar a percepção da experiência, a partir da sensação de maior conforto.
 
No exterior e interior de um edifício, os elementos arquitetônicos e as várias indicações, como pontos de entrada e saída, assim como placas para determinadas salas e informações adicionais precisam ser funcionais, com comunicações claras. Caso contrário, gera-se uma situação em que a falta de ordem e sinalização criará uma experiência perturbadora e estressante.
 
O principal papel do wayfinding design, conceito já difundido nas metrópoles mais avançadas do mundo, é facilitar a navegação e a chegada a um destino, por meio de um conjunto de sinais, incluindo elementos visuais, auditivos e táteis que orientam o caminho a seguir e a melhor forma de percorrê-lo.
 
 Para aqueles que ainda não captaram a dimensão da importância desse fator darei um exemplo prático. Imagine o maior aeroporto do País, com circulação de 30 milhões de pessoas por ano. Agora pense nesse ambiente sem placas que chamem a atenção ou com sinalização que se mistura aos anúncios publicitários, confundindo o público e dispersando as mensagens. A conseqüência direta é o comprometimento da experiência do passageiro, que precisa ir a um balcão de informações, ao guichê de check-in ou à sala de embarque.
 
Contudo, já se percebe no Brasil uma preocupação e demanda pela organização da mobilidade urbana e da comunicação. A consciência crescente sobre este importante aspecto levou o GAD’Mijksenaar a promover uma profunda transformação em toda a sinalização do GRU Airport – Aeroporto Internacional de São Paulo, localizado em Guarulhos. 

 

O projeto de wayfinding design, que também envolveu a adequação do design dos espaços, incluiu uma remodelação total dos sistemas de sinalização e do zoneamento da comunicação visual publicitária. Também foi feito o novo design das placas, tornando a sinalização mais acessível, receptiva e clara, sem interferências visuais. Os resultados são a melhora na percepção dos usuários e ganho no valor agregado das parcerias comerciais. Afinal, se as pessoas se deslocam mais rapidamente e com maior segurança sobra mais tempo para visitar e comprar nas lojas do local.
 
No total, cerca de 830 novas placas de sinalização foram redesenhadas, sendo mais de 90% iluminadas com tecnologia led. A remodelação também englobou mudanças nas tabelas de informações sobre os voos, apresentadas em telas distribuídas pelo aeroporto.
 
O fato é que varejo, mobilidade e wayfinding estão entrelaçados e os gestores já possuem uma visão sobre a relevância dessa relação. Projetos como o realizado no GRU Airport acontecem em um momento especial do País, quando temos grande potencial de realizações devido ao crescimento social e econômico que vivemos. O varejo também será protagonista na implementação de iniciativas transformadoras. Em todos os casos há um ponto em comum que é a mobilidade urbana, fator essencial para o bem-estar e qualidade de vida das pessoas. Afinal, ambientes organizados e coerentes em sua forma de comunicação geram mais clareza e, dessa forma, promovem uma sociedade com maior potencial de desenvolvimento.

Artigo publicado em 29 de julho de 2013

 

*Leonardo Araujo é Diretor / Retail & Environmental Design do Gad'. Graduado em Arquitetura e Urbanismo, ele possui mais de 30 anos de experiência na gestão de design para o varejo, espaços e experiências para importantes marcas nacionais e internacionais