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Exercício de Identificação

A partir deste momento, você leitor está embarcando em uma viagem por todo o universo do varejo. Tenho a honra de estrear a coluna Redesign convicto de que, juntamente com os demais colaboradores e sua participação, construiremos um verdadeiro fórum sobre conceitos inovadores, tendências e estratégias da concepção de lojas. Aqui você também encontrará ideias inusitadas e cases de sucesso. O trabalho que desenvolvo no GAD’Design, operação do GAD’ – Grupo de Serviços de Marca que atua em projetos de ambiente de varejo, é norteado por uma ótica múltipla, com foco no Retail Experience Design e compartilharei minhas visões e experiências ao longo desta jornada.

A criação da coluna pela GS&MD Gouvêa de Souza não poderia vir em momento mais oportuno. Nunca o varejo teve tantas oportunidades de diferenciação como nos últimos tempos. Uma série de inovações tecnológicas, bem como transformações econômicas e culturais na sociedade proporcionam um rápido e cada vez mais dinâmico avanço nas relações entre marcas e seus consumidores. Esse movimento é impactado diretamente pelo ponto-de-venda, o maior canal de contato com a marca.Começarei nosso caminho com uma visão mais abrangente antes de aprofundar os aspectos mais importantes.

Até o fim do século passado, vivemos uma complexa e profunda revolução de modelos. Deixamos de ser uma sociedade industrial e chegamos à era do conhecimento. E agora? O que podemos vislumbrar ao entrar na segunda década do século 21?

A globalização mudou a competitividade dos mercados. Esse fenômeno também contribuiu determinantemente na formação de um novo consumidor, que é mutante e conectado, com visão holística e multicanal. Ele compra mais, mas também aumentou a demanda para as experiências. Em cada categoria de produto ou serviço e nível de preço, a exigência por valor ficou maior.

Obviamente, as mudanças também atingiram o varejo. Os ambientes físicos, até então protagonistas da construção das experiências e da entrega das promessas da marca ganharam outros contornos. A paisagem mudou em todos os sentidos. Os espaços antes únicos passaram a contar com novos canais no mundo conectado da internet. Nesta atmosfera paralela, consumidores pesquisam, compram, elogiam e recomendam o que adquiriram ou irão comprar. Eles definem comunidades, lifestyles, relacionamentos e ainda geram conteúdo. Hoje, os próprios consumidores alteram padrões e recriam maneiras de se envolver. Além disso e, ainda mais importante, reinventam os espaços físicos ou simulados, onde as conexões emocionais se estabelecem e a imagem da marca toma corpo.

Ou seja, as pessoas estão no centro de tudo e elas são os grandes polos de emissão e recepção de sinais e mensagens para os quais devemos estar atentos.

Nesse contexto, o maior desafio é conectar marca, ambientes, soluções e consumidores em atmosferas pertinentes e inspiradoras, gerando experiências, engajamento emocional e, principalmente, resultados.

O varejo é a mais barata e poderosa mídia para construção da marca e desenvolvimento do seu lifestyle. Ele retém a atenção do consumidor antes fragmentada na infinidade de informações disponíveis. Trata-se do canal onde tudo tem que se comunicar oferecendo experiências autênticas, alinhadas à marca em seus valores, cultura e estética.

A boa e velha estratégia pode e deve ser nossa maior aliada para estabelecer essas conexões emocionais de forma adequada. Para alcançar esse objetivo é preciso reconhecer cada elemento ao nosso redor. Para todas as compras as pessoas realizam um exercício de identificação. Ele requer tempo, experimentação, informação e conforto. Esse mesmo exercício deve fazer parte do cotidiano de nosso trabalho. Afinal, conectar bem essas variáveis é a chave para criar a atmosfera ideal no PDV.

A viagem está apenas em seu início e nos próximos textos detalharei diversos aspectos fundamentais dessa nova trilha à frente. Você é meu convidado para acompanhar cada escala.

 

 

O conceito “Colors” no novo concept design de PDV do Magazine Luiza é exemplo de recurso ligado à identificação. As cores reforçam os atributos da marca e seu posicionamento “Vem ser feliz”. Elas também se relacionam com o ditado “Ser feliz é”, permitindo identificação e envolvimento imediato por parte dos clientes, além de facilitar a orientação nos departamentos da loja.

Artigo publicado em 30 de agosto de 2012

 

*Leonardo Araujo é Diretor / Retail & Environmental Design do Gad. Graduado em Arquitetura e Urbanismo, ele possui mais de 30 anos de experiência na gestão de design para o varejo, espaços e experiências para importantes marcas nacionais e internacionais